segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Jovem negro corre 3,7 vezes mais risco de assassinato do que branco

De acordo com estudo do Ipea, “ser negro corresponde a [fazer parte de] uma população de risco: a cada três assassinatos, dois são de negros”
18/10/2013
Por Jorge Wamburg,
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil, divulgado nesta quinta-feira (17), revela que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que a de um branco.
Segundo o estudo, existe racismo institucional no país, expresso principalmente nas ações da polícia, mas que reflete “o desvio comportamental presente em diversos outros grupos, inclusive aqueles de origem dos seus membros”.
Intitulado Segurança Pública e Racismo Institucional, o estudo faz parte do Boletim de Análise Político-Institucional do Ipea e foi elaborado por pesquisadores da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado das Instituições e da Democracia (Diest).
“Ser negro corresponde a [fazer parte de] uma população de risco: a cada três assassinatos, dois são de negros”, afirmam os pesquisadores Almir Oliveira Júnior e Verônica Couto de Araújo Lima, autores do estudo.
Na apresentação do trabalho, em entrevista coletiva na sede do Ipea em Brasília, o diretor da Diest, Daniel Cerqueira, que, do Rio, participou do evento por meio de videoconferência, apresentou outros dados que ratificam as conclusões da pesquisa sobre o racismo institucional.
Segundo ele, mais de 60 mil pessoas são assassinadas a cada ano no Brasil, e “há um forte viés de cor/raça nessas mortes”, pois “o negro é discriminado duas vezes: pela condição social e pela cor da pele”. Por isso, questionou Cerqueira, “como falar em preservação dos direitos fundamentais e democracia” diante desta situação?
Para comprovar as afirmações, Cerqueira apresentou estatística demonstrando que as maiores vítimas de homicídios no Brasil são homens jovens e negros, “numa proporção 135% maior do que os não negros: enquanto a taxa de homicídios de negros é de 36,5 por 100 mil habitantes. No caso de brancos, a relação é de 15,5 por 100 mil habitantes”.
A cor negra ou parda faz aumentar em cerca de 8 pontos percentuais a probabilidade de um indivíduo ser vítima de homicídio, indicam os dados apresentados pelo diretor do Diest. Isso tem como consequência, segundo Daniel Cerqueira, uma perda de expectativa de vida devido à violência letal 114% maior para negros, em relação aos homicídios.
“Enquanto o homem negro perde 1,73 ano de expectativa de vida (20 meses e meio) ao nascer, a perda do branco é de 0,71 ano, o que equivale a oito meses e meio.”
Para o pesquisador Almir de Oliveira Júnior, como dever constitucional, o Estado deveria fornecer aos cidadãos, independentemente de sexo, idade, classe social ou raça, uma ampla estrutura de proteção contra a possibilidade de virem a se tornar vítimas de violência. “Contudo, a segurança pública é uma das esferas da ação estatal em que a seletividade racial se torna mais patente”, disse Oliveira Júnior.
De acordo com as estatísticas sobre a violência em que o estudo se baseou, esse é um dos fatores que explicam por que, a cada ano, “uma maior proporção de jovens negros, cada vez mais jovens, é assassinada”, acrescentou o pesquisador. Segundo ele, enquanto nos anos 80 do século passado, a média de idade das vítimas era 26 anos, hoje não passa de 20.

domingo, 13 de outubro de 2013

TJ julgará ação de inconsitucionalidade contra a LOUOS de Salvador

A Amna reproduz aqui o texto do Movimento Desocupa por achar interessante ao debate atual sobre a entrega da cidade para o mercado imobiliário. Caso isso ocorra todos serão afetados, não podemos deixar que a cidade seja vendido. A AMNA se posiciona CONTRA essa Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo do Município de Salvador (LOUOS), leis construídas sem participação popular não servem para nós!

"Amanhã, dia 14, às 8:30 o Tribunal de Justiça deverá, finalmente, julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Nova LOUOS. Caso o TJ julgue pela inconstitucionalidade da lei, nessa mesma sessão, poderá ser julgado o acordo de modulação de efeitos, proposto pelo Ministério Público e pela Prefeitura, que determinará que alguns dos artigos inconstitucionais presentes a Lei permaneçam valendo por três ou 12 meses ou até que se aprove um novo PDDU e uma Nova LOUOS. Entendemos que as consequências desse acordo para a cidade terão uma duração maior do que 12 meses. Os espigões e a Linha Viva [via expressa pedagiada que cortará Salvador ao meio desabrigando milhares de famílias e desmatado ainda mais nossas reservas naturais] que serão construídos terão duração e impacto para a cidade de, no mínimo, 50 anos para os primeiros e 100 para a segunda.
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O Movimento Desocupa se posiciona contra esse acordo proposto pelo Ministério Publico e pela Prefeitura e estará amanhã às 8h, junto com diversos movimentos sociais, em frente ao Tribunal de Justiça para pressionar os desembargadores para votar contra esses absurdos. Sabemos todos que a desculpa da Copa do Mundo para a construção de novos empreendimentos, como hotéis e aparts de luxo, não procede: não existe mais tempo hábil para construção de qualquer coisa que fique pronta até junho do próximo ano, assim como não existe demanda para novos leitos em Salvador, como declarou a associação de entidades hoteleiras da cidade. Não podemos permitir também que uma obra como a Linha Viva, com interesses voltados somente à valorização de regiões da cidade, desapropriando moradias de mais de 3000 pessoas, que não respeita as diretrizes da lei de mobilidade urbana, seja aceita nesta modulação realizada com portas fechadas entre o MPE e a prefeitura.
Vamos todxs contra a Nova LOUOS, contra o acordo de modulação e contra a Linha Viva! SEGUNDA, 14 DE OUTUBRO, 8H EM FRENTE AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA [VULGO SUKITÃO]"
bola-cifrao

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Amarildo foi torturado por policiais até a morte, aponta inquérito

Ajudante de pedreiro, que é epilético, teria morrido após tomar choques elétricos em contêiner da UPP da Rocinha
Por Igor Carvalho
Inquérito responde pergunta repetida por mais de dois meses no Brasil (Foto: Reprodução)
A pergunta feita no Brasil, desde o dia 14 de julho, “Onde está o Amarildo?”, foi respondida pela Delegacia de Homicídios (DH) nesta quarta-feira (02). Após conclusão do inquérito, entregue ao Ministério Público, que investigava a morte de Amarildo de Souza, a DH indiciou dez policiais militares por tortura seguida de morte e ocultação do cadáver. O major Edson Santos, que está entre os acusados, e seus comandados torturaram o ajudante de pedreiro para que ele revelasse onde armas e drogas estavam escondidas. 
As sessões de tortura ocorreram dentro do contêiner da UPP da Rocinha. Amarildo foi submetido a choques elétricos e asfixiado com sacos de lixo na cabeça. O ajudante de pedreiro, que é epilético, não teria resistido aos choques e morreu no local. Outros três moradores da comunidade alegam que foram submetidos às mesmas práticas no mesmo local.
Santos é formado pelo Bope e à época comandava a UPP da Rocinha, porém foi afastado após moradores da comunidade demonstrarem publicamente insatisfação com a atuação do major.
Todos os policiais indiciados seguem negando envolvimento com o desaparecimento de Amarildo, que ocorreu no dia 14 de julho.