terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Cine Maloca reexibe o documentário Menino Joel neste sábado (14/12)

O documentário Menino Joel será exibido mais uma vez pelo projeto CineMaloca no sábado (30), às 19 horas, em área aberta no Vale das Pedrinhas

No próximo sábado (14), o Cinemaloca exibirá o documentário Menino Joel, na praça Ana Sirone, no Vale das Pedrinhas. Com início marcado para as 19 horas, a sessão é mais uma iniciativa do Cinemaloca, em conjunto com a Associação de Moradores do Nordeste de Amaralina (AMNA), de promover a discussão sobre a violência no bairro, sobretudo a perpetrada pelas forças de repressão do estado.

Joel

No dia 22 de novembro de 2010, em uma operação desastrada (como de costume), a 40º Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) alvejou, dentro de casa, o garoto Joel da Conceição Castro, à época com 10 anos. Os moradores acusam os policiais de terem chegado atirando indiscriminadamente, além de se recusarem a prestar socorro ao menino, que foi ferido no rosto. O garoto morreu horas depois do ocorrido.

Projeto

O Cine Maloca é um projeto itinerante de jovens da comunidade do Nordeste de Amaralina, que tem como objetivo a disseminação de informações culturais e políticas de interesse comunitário através da linguagem audiovisual, buscando provocar a reflexão da população sobre o seu papel transformador em sua própria realidade, por meio da promoção do conhecimento, da mobilização, da organização e da luta comunitária.

Filme

Menino Joel | Max Gaggino | 2012, 01´10´´

Serviço:
O quê: CineMaloca reexibe o documentário Menino Joel
Onde: Praça Ana Sirone, Vale das Pedrinhas
Quando: sábado (14), às 19 horas

Maiores informações:
Cinemaloca@gmail.com

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Fim de semana no parque: vinte anos

Algumas obras artísticas mudam a história. Este artigo se propõe a discutir um desses casos. A obra em questão é o rap “Fim de semana no parque”, lançado em 1993 pelo grupo Racionais MC s. A obra foi um divisor de águas na forma de pensar um fenômeno social chamado periferia
por Tiarajú D'Andrea
Os idos da década de 1990, o pensamento neoliberal mostrava-se como uma formidável máquina de produção de consensos. Seu aparato ideológico foi (e é) sumamente eficaz na reverberação de um pensamento único que glorificava o individualismo, o empreendedorismo e o fim dos direitos sociais. Nesse compasso, a burguesia paulistana comemorava a chegada dos produtos importados, dos shoppings e dos condomínios fechados. Por outro lado, esse mesmo neoliberalismo provocava desemprego, precarização do trabalho, privatizações e ataques aos direitos sociais. Formas clássicas de organização política entravam em crise, como os sindicatos e os movimentos sociais. O PT e as comunidades eclesiais de base (CEBs) aos poucos deixavam os bairros populares. As chacinas se multiplicavam e a periferia de São Paulo entrava numa espiral de violência e medo. A realidade dos mais pobres era desesperadora. No entanto, para o discurso hegemônico, a sociedade havia chegado ao seu melhor momento, afinal, estávamos no “fim da história”. Em síntese, aquele era um tempo histórico em que se via acentuada uma das principais características das formas sociais capitalistas: o descompasso entre a realidade e o discurso que se fazia desta.

No meio desse descompasso é que despontou a obra dos Racionais MC’s. Uma obra que naquele 1993 causou um “terremoto”.1 Um dos segredos desse abalo, segundo seus seguidores, era que o grupo falava a “verdade” e a “realidade”. Afirmar que um discurso fala a “verdade” é apontar que outros não o fazem. A crítica implícita era ao pensamento hegemônico que buscava ocultar essa “realidade”. Em vez de escamotear, os Racionais mostravam com crueza a violência e a pobreza de um local invisibilizado de nome periferia.Publicizar a periferia naquele momento era denunciar uma “realidade” que constituía a sociedade, mas que não era enxergada por esta.

É isso que fez “Fim de semana no parque”. Ao descrever a “realidade” da periferia, o rap denunciava suas mazelas, criticando a sociedade como um todo e desafiando o pensamento único. Observam-se na letra elementos como a presença das drogas, o assassinato dos pares e a pobreza na periferia, mas também o coletivismo e a união dessa população. Há também uma crítica aguda à desigualdade social.

Em várias passagens são nomeados bairros da periferia sul de São Paulo: Parque Santo Antônio, Parque Regina, Parque Ipê, Jardim Ingá, Parque Arariba, entre outros. De maneira inédita, aquele rap nomeava. Tornava visíveis uma população e um território. A partir de “Fim de semana no parque” e de seu sucesso, a periferiapassava a existir de uma forma diferente de como vinha sendo enxergado esse fenômeno.

“Fim de semana no parque” sintetizou e catalisou a força do rap e do movimento hip-hop. Sua gramática explicativa centrou-se em questões como a denúncia das contradições da sociedade e da violência estatal, a busca por uma ética regulatória que ordenasse a vida em um momento de crise social e a superação do estigma contra a população periférica. As ações oriundas da problematização dessas questões desembocaram na explosão de atividades artísticas ocorrida na periferia de São Paulo nos últimos vinte anos, cujo eixo gravitacional são uma série de coletivos culturais. Aquele 1993 sintetizava o começo de um tempo em que a periferia queria contar sua própria versão dos fatos, não aceitando mais mediadores.

Uma das características da potência de uma obra de arte crítica é saber retratar seu tempo. A obra dos Racionais sempre se caracterizou por isso. Se o CD Raio-X Brasil,de 1993, foi um terremoto na cultura brasileira, os títulos lançados posteriormente seguiram essa característica de estar muito bem conectados com aquilo que se passava ao seu redor.

Em 1997, um dos anos com maior taxa de homicídios em São Paulo,2 o grupo lançouSobrevivendo no inferno. É o disco mais dramático dos Racionais. No belíssimo rap “Fórmula mágica da paz”, em meio ao caos daquele tempo, a letra indaga: “A gente vive se matando, irmão. Por quê? Não me olhe assim, eu sou igual a você”.Para então sugerir: “Descanse o seu gatilho, entre no trem da malandragem, o meu rap é o trilho”. Ali, no meio de um discurso que indicava como sobreviver diante de tanta violência, ficava a sugestão: faça rap, faça arte. Entre as possibilidades ofertadas pelo trabalho capitalista ou por atividades ilícitas, foi sendo criada uma terceira possibilidade: produzir arte, que, além de pacificar a quebrada, poderia auxiliar na sobrevivência material. Os Racionais souberam ler esse processo social que os circundava e ser um de seus principais indutores.

Após uma década de desesperança, 2002 renovou os ânimos no país.3 Lula havia ganho as eleições, e o Brasil, a Copa do Mundo.

No plano político, o lulismo começava a se impor como uma forma de governar caracterizada por mudanças sociais sem rupturas.4 Se houve avanços no plano social,é fato também que a propaganda foi mais poderosa do que a real melhora nas condições de vida da população.

No plano cultural, em 2002 foi lançado o filme Cidade de Deus. A partir dele, a indústria do entretenimentopassou a dominar o debate sobre como representar melhor o fenômeno social periferia, roubando o protagonismo até então pertencente ao movimento hip-hop. É nesse 2002 que os Racionais lançaram o álbum Nada como um dia após o outro dia, caracterizado pelo subjetivismo, por certo hedonismo e por reflexões sobre a própria trajetória. Estava implícita em grande parte das letras a contradição vivida pelo grupo com a própria ascensão social. Dois raps representam duas faces desse mesmo dilema. “Jesus chorou” é uma explicação para os periféricos sobre a nova condição social do grupo. Ao serem acusados de traição, a letra aponta que, na verdade, eram eles os traídos ao serem acusados. Por sua vez, “Negro drama” é a crítica ao burguês que os repreendia por terem ascendido socialmente. Com passagens que remetem à escravidão e à luta por reconhecimento por parte dos setores desfavorecidos, o rap virou hino. Com uma eficácia ímpar, com “Negro drama” e já em 2002, os Racionais antecipavam os dilemas provindos da ascensão social de toda uma geração que passou a consumir graças ao lulismo. Em uma classificação formulada fora da periferia, aquele que nos 1990 era o periférico passava a ser denominadoclasse C e, posteriormente, nova classe média.5

Conectados com a realidade histórica na qual se produz uma obra de arte, em 2012 os Racionais lançaram um rap em homenagem ao comunista Carlos Marighella. De certo modo, deram vazão aos incômodos que permeavam uma geração que percebia que muito havia sido feito, mas que faltava bastante a avançar.
A homenagem a Marighella foi, em 2012, a antecipação simbólica das Jornadas de Junho de 2013, outro momento histórico em que o discurso que se fazia sobre a realidade se reconciliou com a própria realidade, assim como havia ocorrido em 1993.
A boa arte sempre antecipa processos históricos. Com rara sensibilidade e verdadeirossujeitos periféricos, os Racionais MC’s foram e seguem sendo o melhor retrato das angústias, delícias e dilemas de uma geração.


Tiarajú D'Andrea

Morador de Itaquera e corintiano. Doutorando em Sociologia pela USP, é autor da dissertação de mestrado Nas Tramas da segregação: o real panorama da pólis, São Paulo, Departamento de Sociologia (FFLCH - USP), 2008.


Ilustração: Divulgação

1 Frase proferida pelo rapper GOG durante o seminário Estéticas das Periferias, em 2012.

2 Fonte: PRO-AIM, SIM – Sistema de Informação sobre Mortalidade, Município de São Paulo.

3 Segundo o economista Marcio Pochmann (Nova classe média? O trabalho na base da pirâmide social brasileira, Boitempo, São Paulo, 2012), foi em 2002 que o Brasil entrou em um ciclo virtuoso de crescimento econômico.

4 De acordo com o historiador Lincoln Secco (História do PT, 1978-2010, Ateliê Editorial, Cotia-SP, 2011), foi em 2002 que ocorreu o aggiornamento completo do PT, ou a adequação completa do partido às circunstâncias que o cercam, abandonando qualquer radicalidade.

5 A ideia de que uma nova classe média tenha surgido no Brasil é veementemente refutada em Marcio
Pochmann, op.cit.
01 de Novembro de 2013
Palavras chave: Racionais Mc smúsicamovimento Hip-Hoprapperiferiaarteculturaestética,movimento socialsociedadedesigualdadecríticaMariguelaMano BrownCDSão Paulopobreza

Fonte: Le Monde Brasil

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Cinemalóca exibirá o doc. "Menino Joel" no próximo sábado (30/11)



No próximo sábado (30), o Cinemaloca exibirá o documentário Menino Joel, no fim de linha do Nordeste, na Rua do Colégio Bernadino. Com início marcado para as 19 horas, a sessão é mais uma iniciativa do Cinemaloca, em conjunto com a Associação de Moradores do Nordeste de Amaralina (AMNA), de promover a discussão sobre a violência no bairro, sobretudo a perpetrada pelas forças de repressão do estado. 

Joel 

No dia 22 de novembro de 2010, em uma operação desastrada (como de costume), a 40º Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) alvejou, dentro de casa, o garoto Joel da Conceição Castro, à época com 10 anos. Os moradores acusam os policiais de terem chegado atirando indiscriminadamente, além de se recusarem a prestar socorro ao menino, que foi ferido no rosto. O garoto morreu horas depois do ocorrido.

Projeto 

O Cine Maloca é um projeto itinerante de jovens da comunidade do Nordeste de Amaralina, que tem como objetivo a disseminação de informações culturais e políticas de interesse comunitário através da linguagem audiovisual, buscando provocar a reflexão da população sobre o seu papel transformador em sua própria realidade, por meio da promoção do conhecimento, da mobilização, da organização e da luta comunitária.

Filme 

Menino Joel | Max Gaggino | 2012, 01´10´´

Serviço:
O quê: CineMaloca exibe o documentário Menino Joel
Onde: fim de linha do Nordeste, Rua do Colégio Bernadino
Quando: sábado (30), às 19 horas

sábado, 23 de novembro de 2013

SESAB inscreve para cursos técnicos gratuitos com vagas no Nordeste de Amaralina



A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia - SESAB por meio da Superintendência de Recursos Humanos -SUPERH/Escola de Formação Técnica em Saúde Professor Jorge Novis e em parceria com as Bases Comunitárias de Segurança Pública localizadas na Chapada do Rio Vermelho, no Nordeste e na Santa Cruz (Programa Pacto Pela Vida – BAHIA), no uso de suas atribuições legais, RESOLVE tornar pública, para conhecimento dos interessados, que estarão abertas as inscrições do Processo Seletivo, na modalidade presencial, visando preenchimento de 30 (trinta) vagas destinadas ao Curso Técnico em Saúde Bucal e 30 (trinta) vagas destinadas ao Curso Técnico em Enfermagem, turno MATUTINO, para os residentes nas comunidades da REGIÃO DO NORDESTE DE AMARALINA, conforme orientações descritas:

Para os cursos técnicos: saúde bucal e enfermagem serão oferecidas 30 (trinta) vagas e 30 (trinta) vagas, respectivamente, a serem preenchidas com os candidatos classificados na seleção e descritos em lista única até a trigésima segunda posição. Os cursos têm carga horária total de 1.500 horas e 1.800 horas, respectivamente e serão desenvolvidos em turno MATUTINO das 8h às 12h.

As inscrições para o Processo Seletivo serão realizadas presencialmente na REGIÃO DO NORDESTE DE AMARALINA.

Entrega de Senhas ilimitadas
Dias: 21 a 23 de novembro de 2013
Horário: 8 às 12 horas e das 13 às 17 horas
LOCAIS DE ENTREGA DE SENHA:
Base Comunitária da Chapada do Rio Vermelho, na Rua Coréia do Sul, 480.
Contato: (71) 3117-7916
Base Comunitária de Santa Cruz, Rua do Futuro, s/nº (ao lado do Colégio Dionísio Cerqueira).
Contato: (71) 9975-1917
Base Comunitária do Nordeste
Contato: (71) 9987-6732
Paróquia Cristo Redentor (Alto da Chapada)
Contato: (71) 3344-1399
ISSA (Instituto Social Semear de Amaralina), Rua da Líbia – CHÁCARA BETEL
Contato: (71) 3248-6416
AESA (Associação Educacional Social Ágape), Rua 11 de Novembro, 841 – Santa Cruz

Contato: (71) 8120-4205

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

20 de Novembro, dia da consciência negra!


Que seja um dia de reflexão acerca da situação dos negros no Brasil e no mundo.
Que a consciência negra seja exercida em práticas coerentes com ela, cotidianamente, como já fazemos há mais de 500 anos.

Que as palavras de ordem sejam: luta e resistência!!

Valeu Zumbi!!

Estamos vivos!!!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Cine Malóca exibe o doc. "TV Alma Sebosa" neste sábado (16/11)

CineMaloca exibe o documentário TV alma sebosa

No próximo sábado (16), o Cinemaloca exibirá o documentário TV Alma Sebosa, na Praça da Cruz, no areal, Santa Cruz. A sessão acontece às 19 horas e contará também com um debate com moradores e lideranças comunitárias logo após o filme.
Projeto

O Cine Maloca é um projeto itinerante de jovens da comunidade do Nordeste de Amaralina, que tem como objetivo a disseminação de informações culturais e políticas de interesse comunitário através da linguagem audiovisual, buscando provocar a reflexão da população sobre o seu papel transformador em sua própria realidade, por meio da promoção do conhecimento, da mobilização, da organização e da luta comunitária.

Filme

TV alma sebosa | Daniel Castelo Branco | 2009, 50´46´´

Serviço:
O quê: CineMaloca exibe o documentário Tv alma sebosa
Onde: Praça da Cruz, areal, Santa Cruz
Quando: sábado (16), às 19 horas


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Jovem negro corre 3,7 vezes mais risco de assassinato do que branco

De acordo com estudo do Ipea, “ser negro corresponde a [fazer parte de] uma população de risco: a cada três assassinatos, dois são de negros”
18/10/2013
Por Jorge Wamburg,
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil, divulgado nesta quinta-feira (17), revela que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que a de um branco.
Segundo o estudo, existe racismo institucional no país, expresso principalmente nas ações da polícia, mas que reflete “o desvio comportamental presente em diversos outros grupos, inclusive aqueles de origem dos seus membros”.
Intitulado Segurança Pública e Racismo Institucional, o estudo faz parte do Boletim de Análise Político-Institucional do Ipea e foi elaborado por pesquisadores da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado das Instituições e da Democracia (Diest).
“Ser negro corresponde a [fazer parte de] uma população de risco: a cada três assassinatos, dois são de negros”, afirmam os pesquisadores Almir Oliveira Júnior e Verônica Couto de Araújo Lima, autores do estudo.
Na apresentação do trabalho, em entrevista coletiva na sede do Ipea em Brasília, o diretor da Diest, Daniel Cerqueira, que, do Rio, participou do evento por meio de videoconferência, apresentou outros dados que ratificam as conclusões da pesquisa sobre o racismo institucional.
Segundo ele, mais de 60 mil pessoas são assassinadas a cada ano no Brasil, e “há um forte viés de cor/raça nessas mortes”, pois “o negro é discriminado duas vezes: pela condição social e pela cor da pele”. Por isso, questionou Cerqueira, “como falar em preservação dos direitos fundamentais e democracia” diante desta situação?
Para comprovar as afirmações, Cerqueira apresentou estatística demonstrando que as maiores vítimas de homicídios no Brasil são homens jovens e negros, “numa proporção 135% maior do que os não negros: enquanto a taxa de homicídios de negros é de 36,5 por 100 mil habitantes. No caso de brancos, a relação é de 15,5 por 100 mil habitantes”.
A cor negra ou parda faz aumentar em cerca de 8 pontos percentuais a probabilidade de um indivíduo ser vítima de homicídio, indicam os dados apresentados pelo diretor do Diest. Isso tem como consequência, segundo Daniel Cerqueira, uma perda de expectativa de vida devido à violência letal 114% maior para negros, em relação aos homicídios.
“Enquanto o homem negro perde 1,73 ano de expectativa de vida (20 meses e meio) ao nascer, a perda do branco é de 0,71 ano, o que equivale a oito meses e meio.”
Para o pesquisador Almir de Oliveira Júnior, como dever constitucional, o Estado deveria fornecer aos cidadãos, independentemente de sexo, idade, classe social ou raça, uma ampla estrutura de proteção contra a possibilidade de virem a se tornar vítimas de violência. “Contudo, a segurança pública é uma das esferas da ação estatal em que a seletividade racial se torna mais patente”, disse Oliveira Júnior.
De acordo com as estatísticas sobre a violência em que o estudo se baseou, esse é um dos fatores que explicam por que, a cada ano, “uma maior proporção de jovens negros, cada vez mais jovens, é assassinada”, acrescentou o pesquisador. Segundo ele, enquanto nos anos 80 do século passado, a média de idade das vítimas era 26 anos, hoje não passa de 20.

domingo, 13 de outubro de 2013

TJ julgará ação de inconsitucionalidade contra a LOUOS de Salvador

A Amna reproduz aqui o texto do Movimento Desocupa por achar interessante ao debate atual sobre a entrega da cidade para o mercado imobiliário. Caso isso ocorra todos serão afetados, não podemos deixar que a cidade seja vendido. A AMNA se posiciona CONTRA essa Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo do Município de Salvador (LOUOS), leis construídas sem participação popular não servem para nós!

"Amanhã, dia 14, às 8:30 o Tribunal de Justiça deverá, finalmente, julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Nova LOUOS. Caso o TJ julgue pela inconstitucionalidade da lei, nessa mesma sessão, poderá ser julgado o acordo de modulação de efeitos, proposto pelo Ministério Público e pela Prefeitura, que determinará que alguns dos artigos inconstitucionais presentes a Lei permaneçam valendo por três ou 12 meses ou até que se aprove um novo PDDU e uma Nova LOUOS. Entendemos que as consequências desse acordo para a cidade terão uma duração maior do que 12 meses. Os espigões e a Linha Viva [via expressa pedagiada que cortará Salvador ao meio desabrigando milhares de famílias e desmatado ainda mais nossas reservas naturais] que serão construídos terão duração e impacto para a cidade de, no mínimo, 50 anos para os primeiros e 100 para a segunda.
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O Movimento Desocupa se posiciona contra esse acordo proposto pelo Ministério Publico e pela Prefeitura e estará amanhã às 8h, junto com diversos movimentos sociais, em frente ao Tribunal de Justiça para pressionar os desembargadores para votar contra esses absurdos. Sabemos todos que a desculpa da Copa do Mundo para a construção de novos empreendimentos, como hotéis e aparts de luxo, não procede: não existe mais tempo hábil para construção de qualquer coisa que fique pronta até junho do próximo ano, assim como não existe demanda para novos leitos em Salvador, como declarou a associação de entidades hoteleiras da cidade. Não podemos permitir também que uma obra como a Linha Viva, com interesses voltados somente à valorização de regiões da cidade, desapropriando moradias de mais de 3000 pessoas, que não respeita as diretrizes da lei de mobilidade urbana, seja aceita nesta modulação realizada com portas fechadas entre o MPE e a prefeitura.
Vamos todxs contra a Nova LOUOS, contra o acordo de modulação e contra a Linha Viva! SEGUNDA, 14 DE OUTUBRO, 8H EM FRENTE AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA [VULGO SUKITÃO]"
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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Amarildo foi torturado por policiais até a morte, aponta inquérito

Ajudante de pedreiro, que é epilético, teria morrido após tomar choques elétricos em contêiner da UPP da Rocinha
Por Igor Carvalho
Inquérito responde pergunta repetida por mais de dois meses no Brasil (Foto: Reprodução)
A pergunta feita no Brasil, desde o dia 14 de julho, “Onde está o Amarildo?”, foi respondida pela Delegacia de Homicídios (DH) nesta quarta-feira (02). Após conclusão do inquérito, entregue ao Ministério Público, que investigava a morte de Amarildo de Souza, a DH indiciou dez policiais militares por tortura seguida de morte e ocultação do cadáver. O major Edson Santos, que está entre os acusados, e seus comandados torturaram o ajudante de pedreiro para que ele revelasse onde armas e drogas estavam escondidas. 
As sessões de tortura ocorreram dentro do contêiner da UPP da Rocinha. Amarildo foi submetido a choques elétricos e asfixiado com sacos de lixo na cabeça. O ajudante de pedreiro, que é epilético, não teria resistido aos choques e morreu no local. Outros três moradores da comunidade alegam que foram submetidos às mesmas práticas no mesmo local.
Santos é formado pelo Bope e à época comandava a UPP da Rocinha, porém foi afastado após moradores da comunidade demonstrarem publicamente insatisfação com a atuação do major.
Todos os policiais indiciados seguem negando envolvimento com o desaparecimento de Amarildo, que ocorreu no dia 14 de julho. 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Karl Marx no Quadrante Sudoeste

Ao refletir sobre geografia de SP, é inevitável lembrar ideias do velho barbudo sobre natureza desumanizadora do trabalho, em sociedades segregadas. Do Outras Palavras

por Juliana M. Dias — publicado 23/09/2013 17:55, última modificação 24/09/2013 08:42
ônibus lotado
Quatro horas por dia, em ônibus lotados. Considere se é possível viver criativamente, em tais condições. E pense na segregação social e étnica implicada
Por que algumas pessoas têm direito de usufruir da cidade, enquanto outras apenas vivem para enfrentá-la, num esforço diário por sobrevivência? O Brasil tem a imagem de ser cordial e amante da igualdade, mas ainda permanece essencialmente escravocrata e segregacionista. Basta um olhar em qualquer metrópole para vermos que a questão vem de séculos. Isto não significa um desejo de viver em eterna contemplação improdutiva, uma volta à vida bucólica e menos ainda uma crítica às sociedades industriais ou ao capitalismo, mas uma tentativa de reflexão sobre a busca pela realização profissional, o que as pessoas fazem com seu tempo livre, a sobrevivênciaversus a vivência. Nada disso é igual para todos, nem nunca foi.
Moro em São Paulo, no bairro do Paraíso (adjacências do Centro) e trabalho em um escritório no Brooklin (Zona Sul). Levo o mesmíssimo tempo para percorrer os 6 quilômetros de distância estando a pé ou de ônibus, exatas 1h20 – a diferença é que a pé chego com 600 calorias a menos. Isso é um sintoma de se viver em uma cidade que sucateou o seu Centro, deixando-o entregue ao abandono, onde ninguém quer morar, nem passar. O desenho urbano hoje é definido por nova região de concentração de empregos, o chamado “quadrante sudoeste” que reúne os “melhores” bairros, menores índices de mortalidade e violência, melhores serviços, temperaturas mais baixas (porque é mais arborizado), melhor infraestrutura de transporte e um chão tão caro que chega a ser irreal. É a região rica da cidade, que no Rio corresponderia à Zona Oeste. Nela, de forma geral, “ricos” moram, trabalham e precisam percorrer trajetos mínimos para acessar  todas as suas atividades de lazer -- academia, shopping, pet shop. Esse quadrante abrange bairros como Pinheiros, Vila Madalena, Brooklin, Jardins e Vila Olímpia, entre outros. Esses dados e o mapa são dos estudos do professor Flavio Villaça (USP) sobre segregação.
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Entre patrões e empregados, existem diferenças fundamentais com relação ao uso da cidade nesse “quadrante sudoeste”. Os empregadores, em geral, moram e trabalham na região; têm filhos que lá estudam; deslocam-se de carro. Já os empregados chegam de áreas distantes. Muitos moram na Zona Leste, região mais populosa da cidade, que conta com apenas uma linha de metrô (que alcança poucos de seus bairros) e uma de trem metropolitano (insuficiente e muito saturada). Uma viagens de ida ou vinda estende-se frequentemente por duas horas.
Mas as pessoas que vivem em um condomínio fechado de alto padrão, no quadrante sudoeste, não o fazem por terem “corações de pedra” ou serem “vilões contra a classe trabalhadora”. É uma questão cultural. A cidade é injusta porque a distribuição de renda o é, também. As oportunidades são desiguais. Há fraturas profundas entre as classes sociais, ainda que tenhamos passado por grandes modificações nos quadros da miséria nos últimos governos.
Imagine que você é filho ou neto de alguém que, por circunstâncias diversas, fez faculdade, teve carreira profissional bem-sucedida, pode comprar casa e pagar seus estudos em uma boa escola e uma universidade. Você morou por toda a vida em uma casa no Alto de Pinheiros (exemplo de bairro rico da Zona Oeste), que um dia será sua. Nunca viveu sem carro. Mas a cidade abriga, também, filhos de sertanejo, que veio para São Paulo tentar a sorte, empregaram-se na construção civil, construíram um cômodo em um lote invadido de Parelheiros (extremo sul) e casaram-se com empregadas domésticas. Seus filhos terão estudado, por toda a vida, em uma escola municipal. Começaram a trabalhar cedo. Nunca prestaram vestibular.
Entre os privilégios ou dificuldades que marcarão a vida desses dois personagens, quais estão ligados méritos; e quais são provenientes das oportunidades que tiveram por "herança"? Quais das conquistas do primeiro personagem fazem dele um merecedor da “melhor parte” de uma cidade, que deveria ser de todos? Bons estudos costumam desembocar em boas carreiras, mesmo que isso demande grande esforço e trabalho. Onde estarão vivendo essas duas famílias e seus descendentes, até que algum deles consiga quebrar um elo dessas correntes hereditárias? E por falar em correntes, é preciso tentar adivinhar as cores das peles desses dois personagens, que você provavelmente já imaginou? Qual deles é o descendente do imigrante europeu; qual é o bisneto do escravo? Isso está incrustado na nossa cultura, simplesmente. É uma herança da nossa miscigenação intensa, porém segregada.
Quem é mais pobre mora longe do trabalho e outros destinos. Perde no transporte tempo precioso que poderia ser usado para desenvolver uma atividade intelectual ou prazerosa. É devastador o que a falta de tempo e dinheiro estudo, leitura e outras atividades culturais pode fazer com uma pessoa; mas é ainda mais devastador não ter o direito de, simplesmente, não fazer nada: não ter tempo livre para criar, produzir autonomamente, divertir-se.
Um modelo de vida urbano baseado em sacrifícios traz, além de defasagem intelectual, diversos problemas de saúde. Algumas profissões a que estão obrigadas as pessoas obrigadas ao trabalho para mera sobrevivência são desgastantes, degradantes, aborrecidas ou humilhantes. Mas a grande maioria é exercida para enriquecer alguém. Por mais que o trabalho, qualquer um, seja “edificante” (existe mérito no esforço), é preciso ter estrutura familiar e/ou financeira para desempenhar sua vida profissional com prazer, o que geralmente determina o sucesso.
Não sou comunista, mas cito aqui o barbudo alemão, para reflexão: “O trabalho é externo ao trabalhador, não pertence ao seu ser, que ele não afirma, portanto, em seu trabalho, mas nega-se nele, que não se sente bem, mas infeliz, que não desenvolve nenhuma energia física e espiritual livre, mas mortifica sua physis e arruína o seu espírito… O trabalho não é a satisfação de uma carência, mas somente um meio para satisfazer necessidades fora dele.”
É preciso ligar as peças do quebra cabeças que faz com que a cidade simplesmente só funcione para algumas pessoas. Em qual momento ela (ou elas, já que estamos falando de metrópoles brasileiras) fugiram do controle? Vivemos o paradoxo de ter que usar o carro para ir para o trabalho e ter que trabalhar para pagar o carro. Copiamos dos filmes hollyowoodianos dos anos 1950 a fascinação por automóveis, autoestradas, eletrodomésticos, consumo. Ele não é um mal em si, e é bom que muitos tenham saído da miséria e podido ter consumir, mas quando isso se faz de forma pouco consciente, baseado em desigualdade e substituindo investimentos em serviços públicos de qualidade, surge uma infelicidade quase palpável, algum tipo de angústia crônica.
Essa não é uma discussão apenas urbanística, mas profundamente íntima. Trata das relações que começaram a se desenvolver quando o Brasil incorporou as injustiças de mundo desigual num deságue doloroso e sangrento. O local onde vivemos reflete esse peso histórico, tornando o usufruto da cidade privilégio de poucos, enquanto a maioria apenas a usa como meio de subsistência.
Sim, as cidades precisam de mais metrôs, de catracas livres, do fim da cultura do automóvel, de energia limpa. Mas também precisam de periferias que sejam autônomas e estruturadas para que os destinos se invertam. E para isso as cabeças precisam deixar de ser apenas operantes para se tornarem pensantes.
Referências:
VILLAÇA, Flávio. São Paulo: segregação urbana e desigualdade. Estudos Avançados,  São Paulo ,  v. 25, n. 71, Apr.  2011.
JACOBS, Jane. Morte e Vida de Grandes Cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000
ENGELS, F. Do socialismo utópico ao socialismo científico. São Paulo: Global, s. d.
* Juliana M. Dias é arquiteta, urbanista e ilustradora

domingo, 8 de setembro de 2013

Vitoria do Povo Unido: Exibimos o Video para a Comunidade do Areial e Boqueirão do Nordeste de Amaralina



















A Luta continua: Pelo fim da impunidade e contra a morte de centenas de jovens negros e pobres que morrem diariamente nos bairros populares de Salvador.

Obrigado.

Graças a corrente de solidariedade que se formou na cidade, pudemos exibir para a Comunidade, no largo do Areal / Boqueirão, localidade do Nordeste de Amaralina, o vídeo que conta a história do assassinato do Menino Joel por Policiais Militares. A Associação de Moradores do Nordeste de Amaralina e o Projeto Cine Maloca em nome da comunidade agradecem a todas as pessoas, organizações e instituições que nesses dias se mobilizaram, divulgaram amplamente na internet e no boca-a-boca, se solidarizando, se posicionando contra a ação policial que impediu no dia a exibição do documentário.

Mesmo sob as fortes chuvas, jovens, mulheres, crianças, lideranças comunitárias acompanharam atentamente através do vídeo o relato sofrido de Mestre Ninha, da Mãe de Joel e de seu irmão contrastando com a insensibilidade do comandante da Policia Militar, do advogado da PM e do Governador Wagner afirmando que não culpa os policiais....
Apesar de desta vez não termos sido incomodado, ao fim do debate que se seguiu a apresentação, várias viaturas da policia invadiram o local com armas pesadas provocando pânico nos moradores.

Após o debate, foi realizado na sede da Associação de Moradores local um debate sobre a violência policial e as ações para enfrentá-la, denunciada a sanha da especulação imobiliária capitaneada pelo atual prefeito e os próximos passos, onde além das denúncias feita por moradores e lideranças, vários representantes de entidades como o Movimento Nosso Bairro é 2 de Julho, Quilombo X, Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), Afro-Gabinete de Articulação Instituicional e Jurídida (AGANJU), Associação Baiana de Imprensa (ABI), OAB/BA, Reaja ou será morto, Movimento Passe Livre (MPL), discutiram e fizeram propostas. O Cine Malóca foi também convidado pelas organizações para exibir o vídeo em outros locais fora do bairro.

O Cine Malóca reafirma o propósito de continuar a utilizar vídeo-documentários para conscientizar os moradores, uni-lo e mobilizá-los, preparando-os para irem para ruas e participarem das grandes lutas populares e sociais que se avizinham. Viva o povo no poder.

Nos próximos passos reexibiremos o vídeo no Boqueirão, continuaremos a exibir o vídeo em outras localidades do bairro, realizaremos uma manifestação para lembrar do garoto Joel no dia das crianças e promoveremos um grande evento simbólico no 20 de Novembro, dia da Consciência Negra.

Resistência e luta!

Contatos podem ser feitos pelo e-mail: cinemaloca@gmail.com, amna.luta@gmail.com, ou pela página do Cine Malóca no facebook “Cinemalóca”.

Salvador, 8 de setembro de 2013

Associação de Moradores do Nordeste de Amaralina               

Cine Malóca


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Ata de reunião da AMNA com Defensoria Pública e comando da PM

Está descrito nesta ata os assuntos discutidos na reunião de hoje (04/09) convocada pela Defensoria Pública para tratar sobre a proibição da exibição do documentário "Menino Joel". Abaixo o transcrito:

"Aos quatro dias do mês de setembro de 2013, às 14:00 horas, realizou-se reunião na sede da Defensoria Pública do estado da Bahia, localizada no bairro do Canela, Salvador-BA, com o fim de debater notícia de que prepostos da Polícia Militar haveria impedido a exibição do longa metragem “Menino Joel”, que trata da trágica morte deste. A reunião teve por objetivo chegar a um consenso sobre a exibição do mesmo no próximo dia 07 de setembro, no bairro do Nordeste de Amaralina. Compareceram os Defensores Públicos Maíra Calmon,  Marcos Fonseca, o Tenente Coronel Admar Fontes, representando a Polícia Militar, a Ouvidora Geral, Sra. Tânia Palma, a Sra. Valdecir Nascimento, Coordenadora executiva Odara Instituto da Mulher Negra, e a Sra. Jiane Soares, representante da Associação de Moradores local e a Sra. Maria Eunice Xavier Kalil. Iniciados os trabalhos, o Defensor Público Marcos Fonseca apresentou a problemática, que foi debatida por todos, buscando-se as soluções adequadas. Tânia Palma destacou que o local destinado à exibição do longa metragem é uma rua fechada e que o evento não causará transtornos ao tráfego. Apontou, ainda, que o mesmo filme foi exibido por duas vezes na comunidade e que não houve problemas nem reclamações. Quanto à vedação da exibição, o Tem. Coronel Admar Fontes informou que os fatos estão sendo apurados e que serão adotadas as medidas cabíveis, se necessário. Quanto à exibição a ocorrer, conforme dito acima, chegou –se a um consenso, no sentido de que, para melhor operacionalização do evento, será feita a comunicação ao competente órgão da prefeitura e ao Comando de Operações da Polícia Militar – COPPM, tudo em atenção ao comando constitucional que garante o direito de reunião pacífica, desde que não frustre outra já designada para o mesmo dia e local. Assim, realizadas as comunicações devidas, não haverá a Polícia Militar de impedir a exibição do filme documentário “Menino Joel”. Nada mais havendo a acrescentar, encerro este ato. Eu, Marcos Fonseca, abaixo subscrito, digitei.

Salvado, 04 de setembro de 2013."

Assinaram:

Maíra Calmon; Marcos Fonseca; Ten. Coronel Admar Fontes; Tânia Palma; Jiane Soares; Maricia Eunice Xavier Kalil


Comunicado da exibição de filme destinado à PM

Este comunicado foi elaborado pela Defensoria Pública junto com a Associação de Moradores do Nordeste de Amaralina durante uma reunião que ocorreu hoje (04/09) na sede da Defensoria Pública no Canela. Comunicamos publicamente ao comando da Polícia Militar a exibição do documentário "Menino Joel" no próximo sábado (07/09). Abaixo o transcrito:

"AO COMANDO DE OPERAÇÕES DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DA BAHIA – COPPM
A Associação de Moradores do bairro Nordeste de Amaralina, representada pela pessoa de Jiane Vieira Sorades, Registro Geral nº XXXXXXXXXX, vem, em atenção ao disposto na Constituição Federal, artigo 5º, inciso XVI, COMUNICAR QUE REALIZARÁ REUNIÃO PACÍFICA, SEM ARMAS E EM LOCAL PÚBLIC, A OCORRER NO LARGO DO AREAL, BAIRRO NORDESTE DE AMARALINA, NO DIA 07 DE SETEMBRO DE 2013.
Na ocasião, será exibido para a comunidade o longa-metragem “Menino Joel”.

Salvado, 04 de Setembro de 2013.

Assinou: Jiane Vieira Soares (Presidente)"


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Cinemalóca exibirá documentário proibido pela PM do Nordeste de Amaralina


Como uma ação simbólica de resistência, exibiremos o documentário, proibido pela PM do Nordeste de Amaralina, "Menino Joel" . O vídeo será exibido no sábado, 07/09/2013, após a exibição se fará um pequeno debate sobre segurança pública. Convocamos todos os que lutam pelos direitos humanos para apoiar  a nossa luta nesse dia. Contamos com tod@s!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Nova reunião é marcada para o dia 26/08



Devido ao não comparecimento do representante da Base Comunitária de Segurança do Nordeste de Amaralina, major Marcelo Brandão, foi convocado pelo defensor público de direitos humanos do Estado da Bahia uma nova reunião que ocorrerá na próxima segunda-feira (26/08) na sede da Defensoria Pública, que fica localizada do Canela. Pedimos as pessoas que estão sofrendo agressão e sendo ameaçadas que compareçam à essa reunião do dia 26. Desta vez foi convocado o Comando Geral da PM e afirmamos que não podemos ficar calados e não ficaremos!!  

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Polícia Militar da base de segurança do Nordeste de Amaralina não comparece à reunião


Hoje nos reunimos com o Defensor de direitos humanos na Defensoria Pública da Bahia. Na reunião estavam 1 representante do Cinemaloca, 1 representante da Associação de Moradores do Nordeste de Amaralina, 1 representante do Fórum Comunitário de Combate à Violência e o Defensor Público de Direitos Humanos. Como era esperado a Polícia Militar não compareceu a reunião, mesmo após ser feita uma convocação formal pela Defensoria à figura do major Marcelo (comandante da base comunitária do Nordeste de Amaralina). Prontamente o Defensor de Direitos Humanos se comprometeu a convocar uma outra reunião (a ser marcada) e acionar, desta vez, também o Comando Geral da PM. O capítulo de hoje demonstrou mais uma atitude desprezível e covarde da PM. Foi nos orientado que pausássemos o trabalho do Cinemaloca por questão de segurança. ORIENTAMOS AS PESSOAS QUE ESTÃO SOFRENDO AMEAÇAS QUE FIQUEM ATENTOS E QUE COMPAREÇAM NA PRÓXIMA REUNIÃO!!! NÃO PODEMOS TER MEDO, ELES QUEREM NOS CALAR, MAS SOMOS DE RESISTÊNCIA E ISSO ELES NÃO IRÃO CONSEGUIR!!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Reunião com comando da PM na Defensoria Pública


O CINEMALÓCA VEM TORNAR PÚBLICO QUE EM VIRTUDE DOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS NO NORDESTE DE AMARALINA, A RESPEITO DA NEGATIVA DA POLÍCIA NA APRESENTAÇÃO DO CINEMALÓCA, PROJETO DA AMNA COM A JUVENTUDE DO BAIRRO, A DEFENSORIA ESPECIALIZADA DE DIREITOS HUMANOS REALIZARÁ UMA REUNIÃO NO DIA 13/08/2013 ÀS 14h NA DEFENSORIA PÚBLICA (CANELA) COM A 40ª CPM DO NORDESTE PARA ESCLARECIMENTOS DOS FATOS.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Nota de agradecimento



Em nome da Associação de Moradores do Nordeste de Amaralina, o Cinemalóca agradece à todxs a solidariedade. Não podemos ficar calados diante dessa violação dos nossos direitos de livre expressão!! A polícia diz que quer ser parceira da comunidade mas atitudes como a que ocorreu no último sábado (03/08/2013) não irá ganhar nossa simpatia, nem apoio. Estamos nos articulando com algumas organizações, como as de defesa dos direitos humanos, para que esse capítulo não volte a se repetir.

sábado, 3 de agosto de 2013

Policia Militar impede a mostra de video-documentário sobre a morte do garoto Joel para a comunidade do Areial no Nordeste de Amaralina.



A violência policial contra a população do Nordeste de Amaralina não tem fim. Não bastam os espancamentos e assassinatos de jovens que são cometidas diariamente por policiais contra jovens negros em todos os bairros populares de Salvador. Agora censuram o direito de livre expressão assegurado na constituição federal. Governo Wagner (PT): Voltamos aos tempos de ditadura?

Hoje, 03/08/2013, as 19 horas a Associação de Moradores do Nordeste de Amaralina AMNA foi impedida pela Policia Militar de mostrar documentário sobre a morte do garoto Joel em vídeo para a comunidade do Areial, no Nordeste de Amaralina.
Jovens membros da Associação de Moradores do Nordeste de Amaralina foram impedidos por policiais da Policia Militar de apresentarem vídeo sobre o assassinato do garoto Joel para a comunidade do Boqueirão, localizado na Santa Cruz.

Policiais fortemente armados ameaçaram com truculência os jovens, alegando que os vídeos incitavam a população contra os policiais. Os jovens ainda tentaram negociar se propondo a passar outro video-documentário mas os policiais impediram ameaçando de arma em riste e alegando a operação Copa do Mundo como motivo para não deixar os jovens exibirem o vídeo.

Desde julho a AMNA está desenvolvendo o projeto Cine Maloca onde quinzenalmente são mostrados na rua, por meio de datashow, em vários pontos do bairro vídeos e documentários educativos com a finalidade de promover a discussão e a mobilização da comunidade entorno dos problemas da violência, das precárias condições de moradia e de abandono do bairro pelas autoridades públicas.

Essa seria a terceira sessão de vídeo-documentário apresentados para na comunidade. A AMNA já realizou sessão no Vale das Pedrinhas e no fim-de-linha do Nordeste de Amaralina.

O vídeo-documentário censurado pela policia militar foi realizado de forma independente para denunciar o assassinato de Joel da Conceição Castro, 10 anos, filho do mestre de capoeira Joel, ocorrido na madrugada do dia 22 de novembro de 2010, no Nordeste de Amaralina.

Segundo noticiado pelos jornais, osnove policiais militares, lotados na 40º CIPM, que participaram da ação que culminou na morte da criança, foram afastados das ruas.”

Impunes, meses depois o  primo de Joel é também assassinado por policiais militares: No dia 13 de junho outro assassinato, desta vez quem foi morto foi Carlos Alberto Júnior, 21 anos, primo do garoto Joel, que, segundo a PM, reagiu a uma abordagem policial. E a família continua a ser ameaçada sem que as autoridades tomem providências.

A AMNA continuará com a mostra e irá entrar com uma representação junto ao Ministério Público e a Defensoria Pública do Estado no sentido de assegurar o direito democrático de livre expressão.

Solicitamos a solidariedade de todas pessoas e organizações democráticas que defendem os direitos humanos que se posicionem contra mais essa violência policial contra a população do Nordeste de Amaralina, enviando cartas de protestos ao Comando da Policia Militar da Bahia e para o Governador Wagner e divulgando o amplamente o vídeo-documentário proibido.

Os interessados poderão enviar seus comentários e acompanhar o movimento pelo blog:

http://amnaluta.blogspot.com

Salvador, 3 de agosto de 2013


Associação de Moradores do Nordeste de Amaralina